Baianidade - Uma forma de afirmar-se

Posted by Jeferson Santos on 04:52

Motivo da imagem: Num mundo movente e diverso onde as identidades chocam-se constantemente, a necessidade de afirmar-se.

A Bahia de charme, cantos, encantos e desigualdades retratada através da arte ou da mídia é o que podemos chamar, de acordo com Milton Moura, de texto identitário. Esse “texto” é definido como algo que explicita de maneira clara o perfil de um sujeito ou grupo. Pensar na identidade como um texto implica observá-la como algo que se constrói com o tempo e em determinado contexto.

O termo “baianidade” é usado para designar os costumes, o perfil que seria inerente ao baiano (especialmente de Salvador e do recôncavo baiano), ou seja, seria então o texto identitário do baiano, um texto de afirmação. Essa baianidade tem como pilares, segundo Milton Moura, a familiaridade, religiosidade e sensualidade. Sendo assim ela se expressa na forma como o baiano interage com outras pessoas, sua forma de conduzir seus cultos, sua religiosidade, seu sincretismo e sua malemolência, seu gingado, sua corporeidade, seu “borogodó”.
A construção desse texto identitário vem sendo feita por diversos artistas, baianos ou não, e reiterado constantemente pela mídia e por setores ligados ao entretenimento e turismo. Por conta dessa reiteração freqüente esses textos acabam sendo incorporados tanto pelos nativos quanto pelos visitantes, que contribuem para moldar o caráter peculiar de um lugar. Isso muito interessa à indústria cultural, que utiliza dessa peculiaridade do local para atrair capital, o que demonstra que a cultura tornou-se um dos setores mais dinâmicos da economia, gerando trabalho e riqueza.
A baianidade é um discurso identitário que é utilizado quando é conveniente. Muitos baianos quando vão a outros estados declaram sua baianidade por conveniência, como uma forma de exaltar o lugar de onde veio, por exemplo. Mas apesar de ser um discurso absorvido ele nem sempre é aplicado. O baiano não come acarajé todo dia, sua vida não é um carnaval nem sua religião é predominantemente afro. Por conta da nova conjuntura histórica, um mundo globalizado e interconectado que é o que vivemos, as tradições culturais se modificam. Não significa que a baianidade não exista de fato. Ela agora é um elemento unificador e necessário econômica e socialmente. Uma forma de afirmar-se algo num mundo movente e diverso.